quinta-feira, 30 de abril de 2009

28.Apague a Vela


O discípulo estava estudando Zen sob a orientação de seu mestre. Numa certa noite ele foi até seu mestre e fez muitas perguntas. O instrutor disse: “Está ficando tarde. Por que você não se recolhe?”
E assim o discípulo curvou-se respeitosamente e abriu a tela para sair, comentando: “Está muito escuro lá fora.”
O mestre ofereceu uma vela acesa ao discípulo para iluminar seu caminho. No exato momento em que ele a recebeu, o mestre a apagou. Naquele momento, a mente do discípulo se abriu.
“O que você alcançou?”, perguntou o mestre.
“De agora em diante”, disse o discípulo, “não duvidarei das palavras do instrutor.”
No dia seguinte, o mestre disse aos monges em sua palestra: “Vejo um monge entre vocês. Os seus dentes são como a árvore espada, sua boca é como a tigela de sangue. Se vocês baterem nele com força, com uma vara grande, ele nem mesmo olhará para vocês. Algum dia ele subirá ao pico mais alto e levará o meu ensinamento para lá.”
Naquele dia, no salão de palestras, o discípulo reduziu a cinzas os seus comentários sobre os sutras. Ele disse: “Por mais abstrusos que os ensinamentos sejam, comparados a esta iluminação eles são como um simples fio de cabelo diante do vasto céu. Por mais profundo que seja o complicado conhecimento do mundo, comparado a esta iluminação ele é como a gota de água diante do oceano.” Ele então deixou o mosteiro.



Cem audições não podem ultrapassar uma visão,
Mas depois que você vê o instrutor, esse único vislumbre
Não pode ultrapassar cem audições.
Seu nariz era muito alto
Mas, de qualquer maneira, ele era cego.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

27. Não é a Mente, Não é o Buda, Não São as Coisas


UM MONGE perguntou a Nansen: “Existe um ensinamento que nenhum mestre jamais pregou?”
Nansen disse: “Sim, existe.”
“Qual é?”, perguntou o monge.
Nansen respondeu: “Não é a mente, não é o Buda, não são as coisas.”



Nansen era bom demais e perdeu o seu tesouro.
Na verdade, as palavras não têm nenhuma força.
Mesmo que a montanha se transforme no mar,
As palavras não podem abrir a mente de uma outra pessoa.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

26. Dois Monges Enrolam a Tela


HOGEN, do mosteiro de Seiryo, estava prestes a dar uma palestra antes do jantar quando notou que a tela de bambu, que havia sido baixada para a meditação, não tinha sido levantada. Ele apontou para ela. Dois monges da platéia levantaram-se e enrolaram a tela.
Hogen, observando o momento físico, disse: “O estado do primeiro monge é bom, o do segundo não.”



Quando a tela é enrolada o grande céu se abre,
Porém o céu não está afinado com o Zen.
É melhor esquecer o grande céu
E afastar-se de todos os ventos.

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quinta-feira, 9 de abril de 2009

25. Pregando Desde o Terceiro Assento


NUM SONHO, Kyozan foi até a Terra Pura de Maitreya.
Ele reconheceu a si mesmo sentado no terceiro assento na casa de Maitreya. Alguém anunciou: “Hoje, aquele que estiver sentado no terceiro assento vai pregar.”
Kyozan levantou-se e, batendo com o malho, disse: “A verdade do ensinamento é transcendente, acima das palavras. Vocês compreendem?”



À luz do dia,
E contudo num sonho, ele fala de um sonho.
Um monstro entre outros monstros,
Ele pretendeu enganar toda a multidão.

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

24. Sem Palavras, Sem Silêncio


UM MONGE perguntou a Fuketsu: “Sem falar, sem silêncio, como você pode expressar a verdade?”
Fuketsu comentou: “Eu sempre me lembro da primavera no sul da China. Os pássaros cantam em meio a inumeráveis tipos de flores perfumadas.”



Sem revelar sua própria penetração,
Ele ofereceu as palavras de outro, sem dar as suas.
Se ele continuasse a tagarelar sem parar,
Até mesmo seus ouvintes teriam ficado envergonhados.

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quinta-feira, 26 de março de 2009

23. Não Pense no Bem, Não Pense no Não-Bem.


QUANDO atingiu a libertação, o sexto patriarca recebeu do quinto patriarca a tigela e a veste dadas pelo Buda aos seus sucessores, geração após geração.
Um monge chamado E-myo, por inveja, perseguiu o patriarca com o propósito de tirar-lhe este grande tesouro. O sexto patriarca colocou a tigela e a veste sobre uma pedra na estrada e disse a E-myo: “Estes objetos apenas simbolizam a fé. Não faz sentido lutar por causa deles. Se você deseja tê-los, leve-os agora.”
Quando E-myo tentou mover a tigela, e a veste, elas estavam tão pesadas quanto as montanhas. Ele não pôde mexê-las. Tremendo de vergonha, ele disse: “Eu vim querendo o ensinamento, não os tesouros materiais. Por favor, me ensine.”
O sexto patriarca disse: “Quando você não pensa no bem e quando você não pensa no não-bem, qual é o seu verdadeiro eu?”
Com estas palavras E-myo iluminou-se. O seu corpo inteiro começou a transpirar. Ele gritou e curvou-se respeitosamente, dizendo: “Você me deu as palavras e os significados secretos. Há ainda uma parte mais profunda do ensinamento?”
O sexto patriarca respondeu: “O que eu lhe disse não é, em absoluto, nenhum segredo. Quando você realiza o seu eu verdadeiro, o segredo pertence a você.”
E-myo disse: “Estive sob a orientação do quinto patriarca muitos anos, mas não pude realizar o meu eu verdadeiro até agora. Através do seu ensinamento eu encontro a fonte. Uma pessoa bebe água e sabe, por si mesma, se a água está fria ou morna. Posso chamar-lhe de meu instrutor?”
O sexto patriarca respondeu: “Estamos juntos sob a orientação do quinto patriarca. Chame a ele de seu instrutor, mas guarde com carinho o que você alcançou.”


Você não pode descrevê-lo, você não pode retratá-lo,
Você não pode admirá-lo, você não pode senti-lo.
É o seu verdadeiro eu, ele não pode esconder-se
Em lugar algum.
Quando o mundo for destruído,
Ele não será destruído.

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quinta-feira, 19 de março de 2009

22. O Sinal de Pregação de Kashapa

ANANDA perguntou a Kashapa: “O Buda lhe deu a vestimenta dourada da sucessão. O que mais ele lhe deu?”
Kashapa disse: “Ananda.”
Ananda respondeu: “Sim, irmão.”
Kashapa disse: “Agora você pode retirar o meu sinal de pregação e colocar o seu próprio.”



O tema da pergunta é enfadonho,
Mas a resposta é íntima.
Quantas pessoas, ao ouvi-la, abrirão seus olhos?
O irmão mais velho chama
E o irmão mais jovem responde,
Esta primavera não pertence à estação comum.

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