quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A Melodia

  
O Mestre era um homem de espírito sagaz que gostava de conversar por meio de parábolas. Entre os seus ministros, havia o 1º Ministro que compreendia bem as parábolas do Mestre.
Certo dia o Mestre estava reunido com seus ministros, discutindo os modos do mundo. Em dado momento perguntou aos ministros:
-Qual, dentre todas as melodias, é a mais agradável aos ouvidos?
Um deles respondeu “a melodia da flauta”. “Não”, retrucou outro: “A melodia da harpa é a mais doce para os ouvidos”. Um terceiro comentou: “Nem uma nem outra; o violino emite o som mais melodioso”.  E assim ficaram discutindo acaloradamente.
O 1º Ministro permaneceu em silêncio, sem dar sua opinião. Alguns dias se passaram. O 1ª Ministro convidou então o Mestre e os governantes do estado para um banquete que se realizaria em sua homenagem. 
 Durante a festa, músicos, tocando os mais variados instrumentos, entretinham os convidados. Todavia, e causando muita estranheza, nas mesas não havia coisa alguma. Os convidados permaneciam sem bebida ou comida.
Mas onde estava a comida? Era embaraçoso ter que perguntar, de modo que os convidados permaneceram a seco até cerca da meia-noite. O 1º Ministro fez então um sinal para o maítre que trouxe para o salão uma enorme bandeja cheia de iguarias, batendo na tampa com uma grande colher.

Todos os convidados deram um suspiro de alívio.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dentes-de-leão


O Mestre decidiu fazer um canteiro de flores. Para isso, preparo o solo e plantou sementes de diversas flores belíssimas.   
Quando as flores nasceram, no entanto, viu que seu jardim estava cheio não apenas daquelas que escolhera e plantara, mas também atulhado de dentes-de-leão.
O Mestre foi então buscar conselho de jardineiros de toda parte e experimentou todos os métodos conhecidos para se livrar dos dentes-de-leão.
Tudo em vão.
Por fim, resolveu caminhar até a capital a fim de entrevistar-se como o jardineiro real. O sábio jardineiro, já velhinho, tinha aconselhado muitos outros jardineiros antes e sugeriu diversas soluções para acabar com os dentes-de-leão, mas o Mestre já experimentara todas.
Ficaram então os dois sentados juntos em silêncio por um tempo, até que o jardineiro olhou para o Mestre e disse:

- Só o Amor pode resolver.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2015


A LÍNGUA



Um irmão perguntou ao Mestre:
- O que devo fazer? A minha língua só me causa problemas. Não consigo controlá-la quando estou com pessoas: começo a condenar suas boas ações e a contradizê-las. O que devo fazer?
O velho Mestre respondeu:
- Se não for capaz de se controlar, afaste-se das pessoas e vá viver sozinho. Mas saiba que isso é uma fraqueza; que vive em sociedade não deve ser quadrado, mas arredondado.
E disse ainda o velho Mestre:
- Eu vivo só não por virtude, mas por minhas fraquezas. Portanto Forte.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

General e o Mestre


Durante as guerras civis na China feudal, todos os habitantes de uma cidade fugiram apavorados ao saberem que um exército invasor estava se aproximando para saquear e tomar o poder. O general daquele exército era conhecido por sua crueldade.
Quando chegaram à vila, os batedores disseram ao general que todos tinham fugido, exceto um mestre Zen que ainda se encontrava no templo. O general foi até lá, curioso em conhecer o tal homem.
Ao chegar não foi recebido com a normal submissão e terror com que estava acostumado a ser tratado por todos. Isso levou o general à fúria.
“Seu tolo, não percebe que você esta diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!”, perguntou o general.
“E você percebe que está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?”, perguntou o mestre.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

BOM SENSO


Certa vez um homem pensou consigo mesmo que, se pudesse reunir todo o bom senso do mundo e guardá-lo apenas para si, seria inevitável que obtivesse muito dinheiro e muito poder, pois todos haveriam de ir procurá-lo com suas preocupações e ele cobraria caro para oferecer conselhos.
E assim o homem começou a recolher todo o bom senso que conseguiria encontrar, guardando-o numa enorme cabaça. Até que, depois de muito procurar, não conseguiu achar mais, bom senso algum. Decidiu então esconder a sua cabaça no topo da árvore mais alta para que ninguém pudesse alcançá-la.
O homem amarrou uma corda em torno do gargalo da cabaça, prendeu as duas pontas da corda uma à outra e pendurou a corda em seu próprio pescoço, de tal modo que a cabaça ficasse rente à sua barriga. E se pos a subir na árvore. No entanto, não conseguiu subir direito nem muito depressa, pois a cabaça ficava atrapalhando. Estava se esforçando feito um louco para subir quando, de repente, ouviu uma gargalhada atrás de si. Ao olhar para trás, viu um garotinho em pé sobre a raiz da árvore.
- Que homem tolo! Se quer subir na árvore de frente, por que não põe a cabaça atrás de si?

O homem ficou tão furioso ao ouvir tanto bom senso saindo da boca de um garotinho tão pequeno (ainda mais depois de haver coletado todo o bom senso do mundo), que jogou a cabaça para baixo, espatifando-a em mil pedaços. O vento então começou a soprar e cuidou de espalhar o bom senso pelo mundo inteiro. Todos ficaram com um pouquinho de bom senso, mas ninguém ficou com tudo.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O ZELADOR

Certo dia um Monge, num frêmito de paixão religiosa, correu para diante da arca e, caindo de joelhos, começou a bater no peito, clamando:
- Eu sou um ninguém! Eu sou um ninguém!
O Abade, impressionado com esse exemplo de humildade espiritual, juntou-se ao Monge e, ajoelhando-se ao seu lado, pôs-se a bradar:
- Eu sou um ninguém! Eu sou um ninguém!
O Zelador, que observava tudo de um canto, também não pode resistir. Caiu de Joelhos ao lado dos outros dois e começou a clamar:
- Eu sou um ninguém! Eu sou um ninguém!
Nesse momento, o Monge cutucou o Abade com o cotovelo, apontou para o Zelador e disse:

- Olhe só quem pensa que é um ninguém!
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O TREINADOR DE CALOS


           O antigo treinador falecera e o rei precisou contratar um novo.
Lamentavelmente, porém, esse homem mancava ao caminhar.
Novos cavalos, todos os animais magníficos, estupendos, foram trazidos para que treinasse, e ele os treinou com maestria: a trotar, a galopar, a puxar carroças e carruagens. Entretanto, todos os novos cavalos também começaram a mancar.

Finalmente, o rei convocou o treinador e, vendo-o entrar na corte mancando, compreendeu tudo e imediatamente mandou contratar um novo treinador.
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