quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bom e Mau



O Mestre desejava testar a sabedoria de seus reis. Certo dia, convocou um rei, que era bem conhecido em todo o seu reino pela crueldade e pela avareza, e cujos súditos viviam em constante terror.


O Mestre disse ao rei:


- Quero que parta em viagem pelo mundo e encontre para mim um homem verdadeiramente bom.


- O rei aquiesceu e, obedientemente, deu início à busca. Conheceu e conversou com muitas pessoas. Passaram-se muitos anos e por fim ele retornou ao Mestre dizendo:


- Senhor, fiz como pedistes e percorri o mundo inteiro em busca de um homem verdadeiramente bom. Ele não existe. Todos são egoístas e maus. Esse homem bondoso que buscais não podem ser encontrado em lugar algum!


O Mestre mandou-o embora e chamou outro rei, conhecido por sua generosidade e benevolência, e amado por todos. O Mestre disse a ele:


- Rei, quero que percorra o mundo inteiro e traga para mim um homem verdadeiramente mau.


- O rei também obedeceu e em suas viagens conheceu e conversou com muitas pessoas. Passaram-se muitos anos e por fim ele retornou ao Mestre dizendo:


- Senhor, eu vos desapontei. Encontrei pessoas mal orientadas, pessoas desencaminhadas e pessoas que agem como se fossem cegas. Mas em lugar algum pude encontrar um homem verdadeiramente mau.



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quinta-feira, 17 de maio de 2012


Verdade de cada momento


Ao longo de suas viagens, Buda encontrou um asceta cuja prática consistia em permanecer em pé numa perna só. Buda lhe perguntou:


- Poderia me explicar por que está fazendo isso? O que a prática de ficar numa perna irá lhe trazer?


- Através desta prática estou consumando meu carma e libertando-me de todo carma passado.


- Quanto do seu carma já foi consumado até agora? – quis saber Buda.


- Não saberia dizer respondeu o asceta.


- E quanto do seu carma ainda falta consumar?


Também não saberia dizer repetiu o asceta.


- E como saberá quando houver consumado todo o seu carma? Perguntou-lhe por fim Buda.


- Isso eu também não saberia dizer – confessou o asceta.


Ao ouvir isso, Buda lhe disse:


- É hora de deixar de lado esta prática e compreender que o caminho que conduz ao fim do sofrimento está na verdade de cada momento.



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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cochilar



Alguns anciãos foram visitar o Mestre, e lhe disseram:


- Diga-nos: quando vemos irmãos cochilando durante o ofício sagrado, devemos cutucá-los para que permaneçam acordados?


O velho Mestre respondeu-lhes:


- Na realidade, se eu visse um irmão dormindo, colocaria a sua cabeça no colo e o deixaria descansar.




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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Grande Pergunta


 Eu sabia que haveria muitas coisas interessantes para ver, mas não queria respostas pequenas. Eu queria “A Grande Resposta”. De modo que pedi a meu anfitrião que me mostrasse a Morada de Deus. E lá me sentei, perfeitamente disposto a esperar pela grande resposta.
Permaneci em silêncio o dia todo, noite adentro. E olhei-O nos olhos. Creio que Ele também estivesse me olhando nos olhos. Tarde, bem tarde da noite, pensei ter ouvido uma voz: “Quem você está deixando de fora?” Olhei em volta. Ouvi novamente a voz “Quem você está deixando do lado de fora?” Seria minha imaginação? Logo a voz estava por toda volta, às vezes sussurrando, às vezes gritando. “Quem você está deixando do lado de fora?” “QUEM VOCÊ ESTÁ DEIXANDO DO LADO DE FORA?”
Estaria eu enlouquecendo?
Consegui me levantar e corri para a porta. Acho que queria o conforto de um rosto humano ou de uma voz humana. Cheguei ao corredor onde ficavam as celas dos monges. Bati numa delas.
- O que você quer? – veio uma voz sonolenta.
- Quem eu estou deixando de fora?
- Eu – veio a resposta.
Fui até outra porta.
- O que você quer?
- Quem eu estou deixando de fora?
- Eu.
Uma terceira cela, uma quarta. Em todas a mesma coisa.
Pensei comigo mesmo: “Estão todos preocupados demais consigo mesmos”. Deixei o mosteiro desgostoso. Justo então o sol começava a raiar. Eu nunca antes falara com o Sol, mas me vi suplicando:
- Quem eu estou deixando de fora?
E também o Sol respondeu:
Aquilo acabou comigo. Prostrei-me no chão. E a própria Terra então disse:
- Eu.


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quinta-feira, 12 de abril de 2012

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Espelho



O Imperador chegou certa vez a uma lagoa e parou para ver seu reflexo nas águas paradas.
- Este reflexo sou eu? – perguntou a seu companheiro.
- Não, meu senhor. Não é senão uma imagem vossa.
- E como a água mantém minha imagem?
- Ela a mantém – replicou o companheiro – graças a uma película que é como espelho.
- E onde os encontramos, essa lagoa e eu?
Seu companheiro enfiou a mão na água e borrifou o rosto do Imperador.



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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Perguntas


Lá existe um monge que nunca oferece conselhos; ele só faz perguntas. Mas me informaram que as suas perguntas podem ser muito profícuas, de modo que resolvi procurá-lo.


- Sou abade de uma paróquia – disse. – Estou aqui em retiro. O senhor poderia me dar uma pergunta?


- Ah, sim – respondeu ele. – Minha pergunta é, “Do que eles precisam?


Fui embora desapontado. Passei algumas horas pensando na pergunta e elaborando respostas, mas acabei decidindo procurá-lo outra vez.


- Perdoe-me, talvez eu não tenha me explicado muito bem. A sua pergunta me foi útil, mas eu não estava muito interessado em pensar sobre o meu trabalho durante o retiro. Pretendia refletir com maior seriedade sobre minha própria vida espiritual. O senhor poderia me dar uma pergunta para a minha vida espiritual?


- Ah, compreendo. Então minha pergunta é, “Do que eles realmente precisam?”



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