quinta-feira, 15 de março de 2012

Bolinhos de arroz


-Chien, quando jovem, era um devoto estudante do Budismo. Ele estudou todos os conceitos e doutrinas e tornou-se muito hábil em analisar os termos mais complexos. Considerava-se um entendido em filosofia budista. Sabia de cor o Sutra do Diamante e orgulhava-se de ter escrito um longo comentário sobre ele.


Um dia, sabendo que em outra cidade havia um grande sábio que dizia coisas com as quais ele não concordava, resolveu viajar até lá para provar, pelo seu conhecimento, que o sábio estava errado. Colocou o comentário sobre o Sutra do Diamante embaixo do braço e partiu.

No caminho, encontrou uma velha que vendia bolinhos de arroz.

“Gostaria de comprar alguns bolinhos, por favor.”

“Que livros está carregando?”, perguntou a velha.

“É o meu comentário sobre o sentido verdadeiro do Sutra do Diamante, mas você não sabe nada sobre esses assuntos profundos”, disse desprezando a vendedora de bolinhos.
“Vou lhe fazer uma pergunta e, se puder me responder, eu lhe darei os bolinhos de graça”, disse a velha.
Ele aceitou o desafio.


“Está escrito que a mente do passado é inatingível, a mente do futuro é inatingível e a mente do presente é inatingível. Diga-me com qual mente você vai se alimentar?”, perguntou.


Hsüan-Chien não soube o que dizer.

“Sinto muito, mas acho que terá que comer bolinhos em outro lugar”, disse a velha.


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terça-feira, 13 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Desejo

Um amante suplicou durante vários meses os favores de sua amada, sem sucesso.Vaio assim sofrer as dores atrozes da rejeição.Finalmente, no entanto,sua amada cedeu:"Venha a mim em tal e tal lugar, em tal em tal hora",disse ela.
Na hora e lugar e especificados, o amante enfim se viu sentado ao lado de sua amada.Enfiou então as  mãos no bolso retirou um maço de cartas de amor que escrevera para ela ao longo dos últimos meses.
Eram caratas passionais expressando a dor que sentira e o desejo ardente de experimentar as delicias  do amor e da união.
Os minutos foram se passando,  mas ele continuava lendo as carta, emocionado.Por fim, a mulher disse: Essas cartas são todas sobre seu desejo por mim.




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quinta-feira, 1 de março de 2012

Iluminação


Um dos devotos do templo era bem conhecido por seu zelo e dedicação. Dia e noite ele permanecia sentado em meditação, sem interrupção sequer para comer ou dormir. Com o passar do tempo, porém, foi emagrecendo e ficando cada vez mais exaurido. O mestre do templo aconselhou-o a reduzir o ritmo e tomar mais cuidado consigo mesmo. Mas o devoto se recusava a ouvir seus conselhos.


- Por que correr tanto, qual é a sua pressa?


- Estou em busca da iluminação – respondeu o devoto. – Não há tempo a perder.


- E como você sabe – indagou o mestre – que a iluminação está à sua frente e que é preciso correr atrás dela? Talvez ela esteja vindo atrás ou dos lados. Desse jeito você está apenas fugindo dela!

 
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nada santo


Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre:

Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?"

"Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio.
O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar:

"Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?"

"Um vasto vazio, sem nada santo dentro dele", afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta:

"Quem és então, para ficares diante de mim como se fosse um sábio?"

"Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.


 
 
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Caminho


Depois de visitar certa cidade, o Mestre se preparava para partir de volta à sua casa quando todos os membros daquela comunidade resolveram acompanhá-lo parte do caminho. Porém, mal a sua carruagem cruzou os portões da cidade, ele desceu, pediu ao cocheiro que seguisse viagem e pôs-se a caminhar junto com a multidão. Os discípulos perplexos, perguntaram-lhe por que estava agindo assim.


- Quando vi a grande devoção com que estavam realizando a boa obra de me acompanhar, não pude suportar ficar excluído dela.


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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os males


Certo homem foi procurar o Mestre, implorando que o curasse de seus males.
- E de quais males você padece? – perguntou o Mestre.
- Se como demais, minha barriga começa a doer – explicou o homem. – Se sinto sede, minha garganta arde, e minhas costas doem quando passo o dia trabalhando no campo.
- Ora, meu caro, esses são males da própria vida – o Mestre respondeu. – Só a morte poderá curá-lo.
O homem amaldiçoou o Mestre e foi-se embora cheio de raiva, resmungando para seus companheiros.
- Esse homem – observou o Mestre – haverá de achar a tumba um pouco fria demais para seu gosto.

 
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