quinta-feira, 17 de setembro de 2009

43. O Cajado Curto do Mestre


O Mestre ergueu seu cajado curto e disse: “Se vocês chamarem isto de um cajado curto, se opõem à sua realidade. Se não o chamarem de um cajado curto, ignoram o fato. Agora me digam como desejam chamar este cajado?”


Erguendo seu cajado curto,
Ele deu uma ordem de vida ou morte.
Positivo e negativo entrelaçados,
Nem mesmo os Budas e os patriarcas
Podem escapar deste ataque.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

42. A Menina Sai da Meditação


Na época do Buda Shakyamuni, um mestre foi até a assembléia dos Budas.
Quando lá chegou, a conferência havia terminado e cada Buda tinha retornado à sua própria terra de Buda.
Apenas uma menina estava ainda imóvel, em profunda meditação.
O mestre perguntou a Buda Shakyamuni como era possível a esta menina alcançar este estado, algo que nem ele próprio pôde alcançar. “Traga-a para fora do Samadhi e pergunte a ela você mesmo.”, disse o Buda.
O mestre caminhou ao redor da menina por três vezes e estalou seus dedos. Ela ainda permanecia em meditação.
Então, através desse poder milagroso, ele a transportou a um céu superior e tentou da melhor forma possível chamá-la, mas em vão.
O Buda Shakyamuni disse: “Nem mesmo cem mil mestres poderiam perturbá-la, mas embaixo deste lugar, depois de um bilhão e duzentos milhões de países, existe um Bodhisattva, a semente da ilusão. Se ele vier aqui, ela despertará.”
Mal o Buda havia terminado de falar, o Bodhisattva surgiu da terra, curvou-se respeitosamente e prestou homenagem a ele. O Buda o instruiu a despertar a menina.
O Bodhisattva foi para a frente da menina e estalou os seus dedos, e naquele instante a menina saiu de sua profunda meditação.


Um não pôde despertá-la, o outro pôde.
Nenhum dos dois é um bom ator.
Um usa a máscara de deus, outro a máscara do diabo.
Tivessem ambos falhado, o drama ainda seria uma comédia.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

41. O Mestre Pacifica a Mente


O mestre senta-se de frente para a parede. O seu futuro sucessor está de pé, na neve, e apresenta o seu braço cortado para o mestre. Ele grita: “Minha mente não está pacificada. Mestre, pacifique a minha mente.”
O mestre diz: “Se você me trouxer esta mente, eu a pacificarei para você.”
O sucessor diz: “Quando busco a minha mente eu não posso segurá-la.”
O mestre diz: “Então a sua mente já está pacificada.”


Por que Bodhidharma veio para a China?
Por muitos anos os monges têm discutido isso.
Todos os problemas que se seguiram desde então
Vieram daquele instrutor e seu discípulo.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

40. Derrubando o Vaso de Água


O mestre desejava enviar um monge para abrir um novo mosteiro. Ele disse a seus alunos que quem quer que respondesse uma pergunta da maneira mais hábil seria designado para a tarefa. Colocando um vaso de água no chão, ele perguntou: “Quem pode dizer o que é isto sem chamá-lo pelo nome?”
O monge chefe disse: “Ninguém pode chamá-lo de um sapato de madeira.”
O monge cozinheiro, derrubou o vaso com seu pé e saiu.
O mestre sorriu e disse: “O monge chefe perde.” E o monge cozinheiro tornou-se o mestre do novo mosteiro.


Abandonando os utensílios de cozinha,
Derrotando o tagarela,
Embora seu instrutor coloque uma barreira para ele
Os seus pés derrubarão tudo, até mesmo Buda.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

39. O Desvio do Mestre


Um estudante de Zen disse ao Mestre: “O brilho do Buda ilumina todo o universo.”
Antes que ele tivesse terminado a frase, o Mestre perguntou: “Você está recitando um poema de outra pessoa, não está?”
“Sim”, respondeu o estudante.
“Você se desviou.” Disse o Mestre.
Posteriormente, um outro instrutor perguntou a seus alunos: “Em que ponto o estudante se desviou do caminho?”



Quando um peixe encontra um anzol
Se for demasiado ganancioso, será pego.
Quando sua boca se abre
Sua vida já está perdida.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

38. Um Carvalho no Jardim


UM MONGE perguntou ao Mestre porque Bodhidharma veio para a China.
O mestre disse: “Um carvalho no jardim.”


As palavras não podem descrever tudo.
O coração da mensagem não pode ser transmitido em palavras.
Se alguém recebe as palavras literalmente,
Estará perdido,
Se tentar explicar com palavras,
Não alcançará a iluminação nessa vida.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Extra - O Boi

O cozinheiro do príncipe Wen Hui
Estava esquartejando um boi.
Lá se foi a mão,
Caiu um ombro,
Cravou um pé,
Pressionou com o joelho,
O boi despedaçou-se
Com um sussurro,
O talhador inteligente murmurou
Como um vento suave.
Ritmo! Cadência!
Tal como uma dança sagrada,
Tal como antigas harmonias!
“Bom trabalho!”, exclamou o príncipe,
“Seu método é infalível!”
“Método?”, disse o cozinheiro
Prostrado ao lado do seu cutelo,
“O que eu sigo é o Tao,
Superior a todos os métodos!
“Quando comecei
A esquartejar bois,
Eu via diante de mim
Todo o boi
Em apenas uma massa.
Depois de três anos
Eu não via mais essa massa.
Via as partes.
“Mas agora não vejo nada
Com o olho. Todo o meu ser
Apreende.
Meus sentidos estão livres. O espírito
Livre para trabalhar sem planejamento
Segue seu próprio instinto
Guiado por uma linha natural,
Pela abertura secreta, o espaço escondido,
Meu cutelo encontra seu próprio caminho.
Não corto nenhuma articulação, não fatio nenhum osso.
“Existem espaços nas juntas;
A lâmina é fina e aguçada:
Quando esta finura
Encontra aquele espaço,
Aí está todo o espaço de que você precisa!
Ela vai como uma brisa!
Por isso faz dezenove anos que este cutelo
É como que novamente afiado!
“Na verdade, algumas vezes
Há juntas muito duras. Eu as antevejo,
Diminuo o ritmo, observo cuidadosamente,
Detenho-me, mal movo a lâmina,
E pronto! O pedaço se dissolve
Caindo como um torrão de terra.
“Então recuo a lâmina,
Fico imóvel
E deixo a alegria do trabalho
Se aprofundar.
Limpo a lâmina
E a ponho de lado.”
O Príncipe Wen Hui disse:
“É isso. Meu cozinheiro mostrou para mim
Como eu deveria viver
Minha própria vida!”

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