quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O GRANDE VAZIO QUE TUDO CONTÊM


Como fui ordenado monge gostaria de fazer uma pergunta ao Mestre?
- Perfeito – respondeu o Mestre
-“O que é um monge?”
-“Você quer dizer de dia ou de noite?” respondeu o Mestre
O discípulo não respondeu, o Mestre continuou. 
- Um monge, como todos, é uma criatura de contração e expansão. Durante o dia ele esta contraído; atrás dos muros do claustro, vestindo um hábito igual ao dos demais, executando as tarefas de rotina que se espera que um monge realize. À noite, porém, ele se expande. Os muros são incapazes de conte-lo. Ele se move pelo mundo e toca as estrelas.
O discípulo comenta com um ar desconfiado
- Bem, durante o dia, em seu corpo verdadeiro...
- Espere – interrompe o Mestre, - Esta é a diferença entre nós e você. Vocês costumam supor que o estado contraído é o verdadeiro corpo. E é, de fato, em certo sentido. Nós aqui, porém, tendemos a partir do outro extremo, o estado expandido. Ao estado diurno nos referimos como o “corpo de medo”. E enquanto vocês julgam um monge por seu decoro durante o dia, nós tendemos a avaliar um monge pelo número de pessoas que ele toca à noite, e pela quantidade de estrelas.


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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Aparência


 Um homem cujo machado desaparecera suspeitou que o filho do vizinho o houvesse roubado. O rapaz andava feito ladrão, tinha cara de ladrão e falava como um ladrão. Pouco depois, contudo, enquanto arava um campo, o homem achou o seu machado. Ao encontrar mais tarde o filho do vizinho, o rapaz andava, parecia e falava como qualquer outra criança.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Meu lugar


Rumi, o grande poeta, teve um Mestre extraordinário chamado Shams. Desde criança, Shams parecia diferente. Seus próprios pais não sabiam se o mandavam para um mosteiro ou para a casa dos loucos. Não sabiam o que fazer com ele.

Depois de adulto, Shams contou-lhes a história do ovo de pato que uma galinha encontrou. A galinha chocou o ovo e criou o patinho lado a lado com seus pintinhos. Um dia, foram todos caminhar até o lago. O pato entrou sem titubear na água e saiu nadando e mergulhando, enquanto a galinha permanecia timidamente na borda. Shams explicou aos pais:


- Agora, pai e mãe, eu encontrei meu lugar. Aprendi a nadar no oceano, mesmo que vocês tenham que permanecer na costa.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ignorar




       O Mosteiro da Lua Nova não tem portões – disse o Mestre certa vez a um conviva.
-  Mas como eles mantêm longe os ladrões?
- Não há nada para roubar num mosteiro – Tudo o que verdadeiramente tiver valor é dado.
-  Mas e os desordeiros? E as pessoas incômodas? Como os monges as mantêm afastadas? – perguntou o conviva.
-  Os monges as ignoram.
-  E isso funciona?
       O Mestre tapou os ouvidos, fechou os olhos e recusou-se a responder. Por fim, desgostoso, seu conviva foi embora.

-  Funciona – disse o Mestre, chamando-o de volta.


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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Você está certo!

         Dois discípulos estavam discutindo sobre o verdadeiro caminho.
O primeiro discípulo dizia:
- É preciso esforço e dedicação. Orar, permanecer atento e viver corretamente.
O segundo discípulo discordava:
- Não se trata de esforço. O empenho pessoal está fundamentado no ego. Devemos abandonar todas as coisas e viver plenamente o ensinamento, ”Faça-se a vossa vontade”.
Como não conseguiram decidir quem estava com a razão, resolveram procurar o mestre. O mestre ouviu atentamente enquanto o primeiro discípulo louvava o caminho do esforço sincero.
“Mestre” – Você está certo.
O segundo discípulo ficou perturbado e passou a defender eloqüentemente a entrega de si e o abrir mão das coisas.
“Mestre” – Você está certo.
Um terceiro discípulo que estava por perto interveio:
- Mas, mestre não é possível os dois estarem certos.
O mestre sorriu e disse:

- você também está certo!

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Passeio




Diálogos entre dois monges.

"Aonde vais?"

"Vou a um passeio pelas redondezas."

"Qual o propósito de um passeio?"

"Não sei."

"Bem,não sabendo fica mais perto."


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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Palavra

 Um monge solicitou um encontro com seu Mestre, pois tinha uma grande dúvida.
“Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório, que o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que as preces são feitas de palavras e que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Zen está além das palavras, por que elas são usadas para defini-lo?”, perguntou o monge.
“As palavras são como um dedo apontando para a lua. Aprende a olhar para a lua e não se preocupe com o dedo que aponta”, respondeu o Mestre.
“Mas eu não poderei olhar a lua, sem precisar apontar para ela?”, perguntou.
“Ninguém mais pode olhar a lua por ti. A lua estará sempre à vista. O Zen é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio”, disse o Mestre.
“Então, por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?”, perguntou o monge.
“Pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado. Os homens não confiam na Verdade já revelada pelo fato de ela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Dessa forma, as palavras são um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que o necessário”, disse o Mestre.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. De repente, o Mestre apontou para a lua. E o discípulo se iluminou.


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