quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ignorar




       O Mosteiro da Lua Nova não tem portões – disse o Mestre certa vez a um conviva.
-  Mas como eles mantêm longe os ladrões?
- Não há nada para roubar num mosteiro – Tudo o que verdadeiramente tiver valor é dado.
-  Mas e os desordeiros? E as pessoas incômodas? Como os monges as mantêm afastadas? – perguntou o conviva.
-  Os monges as ignoram.
-  E isso funciona?
       O Mestre tapou os ouvidos, fechou os olhos e recusou-se a responder. Por fim, desgostoso, seu conviva foi embora.

-  Funciona – disse o Mestre, chamando-o de volta.


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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Você está certo!

         Dois discípulos estavam discutindo sobre o verdadeiro caminho.
O primeiro discípulo dizia:
- É preciso esforço e dedicação. Orar, permanecer atento e viver corretamente.
O segundo discípulo discordava:
- Não se trata de esforço. O empenho pessoal está fundamentado no ego. Devemos abandonar todas as coisas e viver plenamente o ensinamento, ”Faça-se a vossa vontade”.
Como não conseguiram decidir quem estava com a razão, resolveram procurar o mestre. O mestre ouviu atentamente enquanto o primeiro discípulo louvava o caminho do esforço sincero.
“Mestre” – Você está certo.
O segundo discípulo ficou perturbado e passou a defender eloqüentemente a entrega de si e o abrir mão das coisas.
“Mestre” – Você está certo.
Um terceiro discípulo que estava por perto interveio:
- Mas, mestre não é possível os dois estarem certos.
O mestre sorriu e disse:

- você também está certo!

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Passeio




Diálogos entre dois monges.

"Aonde vais?"

"Vou a um passeio pelas redondezas."

"Qual o propósito de um passeio?"

"Não sei."

"Bem,não sabendo fica mais perto."


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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Palavra

 Um monge solicitou um encontro com seu Mestre, pois tinha uma grande dúvida.
“Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório, que o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que as preces são feitas de palavras e que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Zen está além das palavras, por que elas são usadas para defini-lo?”, perguntou o monge.
“As palavras são como um dedo apontando para a lua. Aprende a olhar para a lua e não se preocupe com o dedo que aponta”, respondeu o Mestre.
“Mas eu não poderei olhar a lua, sem precisar apontar para ela?”, perguntou.
“Ninguém mais pode olhar a lua por ti. A lua estará sempre à vista. O Zen é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio”, disse o Mestre.
“Então, por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?”, perguntou o monge.
“Pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado. Os homens não confiam na Verdade já revelada pelo fato de ela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Dessa forma, as palavras são um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que o necessário”, disse o Mestre.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. De repente, o Mestre apontou para a lua. E o discípulo se iluminou.


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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sobrevivência




O Mestre disse:


- Ou se esquive das pessoas, ou então ria do mundo e das pessoas que há nele e faça papel de tolo em muitas coisas.






quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Silêncio


          Um filósofo perguntou a Buda:

“Sem palavras, como é possível revelar a Verdade?”

O Buda permaneceu em silêncio.

O filósofo compreendeu e agradeceu profundamente.

“Graças a vossa amável generosidade, eu penetrei no verdadeiro caminho”, disse o filósofo.

Depois que o filósofo partiu, Ananda, disse o discípulo de Buda, perguntou como o filósofo tinha conseguido alcançar a iluminação.


“Um bom cavalo corre apenas à visão da sombra do chicote”, disse Buda.


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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O que você fez


Ao terminar o verão, o discípulo fez uma visita ao Mestre.

“Não o vi por todo o verão, o que tens feito?”, perguntou o Mestre.

“Estive cultivando um pedaço de terra e terminei de plantar umas sementes”, respondeu o discípulo.

“Então não desperdiçaste o verão”, disse o Mestre.

“E tu, como passaste o verão?”, perguntou o discípulo.

“Uma refeição por dia e um bom sono à noite”, respondeu o Mestre.


“Então, também não desperdiçaste o verão”, concluiu o discípulo.