quinta-feira, 31 de março de 2011

A MORAL DO TAO


Um famigerado ladrão, chamado Koshi, interessava ao sábio Confúcio; este, com efeito, supunha poder convertê-lo á sua moral.

Dirigiu-se, portanto, á montanha em que o ladrão vivia, retirado, e propôs-se educá-lo.

Koshi, o ladrão, logo se casou das palavras do importuno:

- És mais pueril que uma criança - exclamou, a súbitas. -Tua moral é boa para ti, mas não é boa para mim!Ensina-me, portanto, o outro aspecto da moral se quiseres que eu te compreenda!Para falar com franqueza, eu não acreditava que os grandes sábios fossem tão totalmente ingênuos!

Confúcio viu-se obrigado a recuar. Recebera, em matéria de educação. Uma grande lição!

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quinta-feira, 24 de março de 2011


Agarrar a oportunidade



O mestre e o discípulo observaram uma briga entre um judoca e um operário.

O judoca aplicou-lhe uma gravata. Por esse waza, num combate oficial, o operário teria sido vencido. Na realidade da vida, porém, o operário agarrou e torceu os testículos do judoca, que urrou de dor. E, no mesmo instante, o operário conquistou a supremacia do combate.

O discípulo:

-Que absurdo...

O mestre:

- A ação passiva vence na vida real.

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quinta-feira, 17 de março de 2011



A Cauda do Elefante


Nas Índias, uma elefanta estava sofrendo muito para dar à luz o seu filhote.
O rei desse país procurou ajudá-la. Mas só uma mulher que nunca tivesse mentido nem pensado em outro homem poderia socorrer a elefanta.
Uma única mulher se apresentou:
- Depois que me casei, só tive meu marido em minha vida. Nunca o enganei, nem mesmo em pensamento. Nunca amei outro homem; é evidente que posso auxiliar o parto.
Nesse instante nasceu o filhote, mas por mais que se fizesse, não havia meio de sair-lhe a cauda.
O rei e seus seguidores ficaram em dúvida;
- Por quê?
Disse, então, a mulher:
- Eu talvez tenha mentido.
- De que se trata?
- Quando eu era menina, por volta dos doze ou treze anos, beijei um bebê do sexo masculino e, a partir desse momento, o amei. Ele não sabia de nada, mas eu o amava.
A cauda do elefantinho não tardou a sair.


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segunda-feira, 14 de março de 2011

Orelhas compridas


Um mestre vivia entre mendigos debaixo das pontes. Sua vivacidade de espírito era célebre e o imperador sentiu-se curioso. Um dia, mandou um mensageiro á sua procura;baldaram-se,porém,as investigações.O Mestre se dissimulava.
O mensageiro, todavia, reparara num mendigo de olhar penetrante, nariz avantajado e orelhas compridas; só podia ser o Mestre. Tentou, pois, um estratagema; dirigindo-se ao grupo de mendigos, disse:
-Tenho aqui algumas moedas; elas serão vossas se conseguirdes tomá-las de mim sem utilizar as mãos.
No mesmo instante, o tal mendigo deu um pontapé nas mãos do mensageiro, e as moedas voaram para todos os lados.
E o mensageiro compreendeu
.


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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Brasa, Debaixo da Cinza

Isan tornou-se discípulo aos vinte e três anos de idade.
Quando o Mestre o viu, permitiu-lhe entrar em seu quarto, e fez dele o seu secretário.
O Mestre perguntou-lhe um dia:
-Existe ainda um pouco de fogo nas cinzas da lareira?
O discípulo procurou, mas nada encontrou. Veio, então, o Mestre e descobriu uma brasa, profundamente metida no meio da cinza. Pegou-a com a ajuda de atiçadores e espertou o fogo.
-Não é fogo? – perguntou o Mestre.
-Sim! Sim! É fogo! – respondeu o discípulo.
-Esse fogo não é muito importante para mim – disse o Mestre – mas, é importante encontrares a ocasião, o ensejo, a oportunidade.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As três pontes

Um velho pai verbera o filho bêbedo que, todas as noites, volta embriagado para casa. Este promete emendar-se e beber menos.
Naquela mesma noite, como o filho não voltasse, sai o pai à sua procura. Dá com ele semi-afogado, agarrado ao pilar da ponte que separa a aldeia da casa paterna.
- Por que te encontro neste estado – pergunta o pai -, se neste mesmo dia me prometeste beber menos?
Responde o filho:
- Bebi menos, com efeito, e eis aí o resultado. Tenho o costume de beber três sho de saquê (três vezes um litro) e, todas as noites, ao voltar para casa, vejo três pontes: passo sempre pela do meio, e tudo vai muito bem! Esta noite, bebi apenas dois sho e só vi duas pontes; não sabendo o que fazer, optei, à ventura, pela da esquerda e caí no rio!
O pai:
- Vamos, voltemos para casa!
O filho:
- Oh não! Ainda não! Deixai-me ir beber o meu terceiro sho de saquê e tudo andará melhor.
Dito e feito. E o filho regressa à casa, são e salvo, pela via natural.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


Não Fugir


Sariputra, o grande discípulo do Buda, estava sentado em zazen, à beira de um lago. Um sem-número de peixes saltava à tona da água. Sariputra mudou de lugar e instalou-se num sítio mais retirado.
Mas o canto dos pássaros estorvava-lhe o zazen. Os pensamentos afluíam, erguiam-se as ilusões...
Como os pássaros e os peixes o incomodassem, decidiu matá-los e comê-los. Mas apanhou uma indigestão.

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