quinta-feira, 24 de junho de 2010


Muito Tarde Para Punir


O Mestre mandou um menino pegar água no poço.

- Tome cuidado para não quebrar o pote! – gritou o Mestre, e deu uma bordoada no garoto.

- Mestre – perguntou um observador -, por que bater em alguém que não fez nada?

- Ora, seu estúpido – disse o Mestre -, porque depois que quebrasse o pote seria muito tarde para puni-lo, não acha?

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Em Mim


Um monge disse ao Mestre:

- Sou tão desapegado que nunca penso em mim, só nos outros.

O Mestre respondeu:

- Sou tão objetivo que posso ver-me como se fosse outra pessoa; assim, sou capaz de pensar em mim.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Vento Sopra

Num dia de muito calor, o Mestre se abanava devagar. Um monge aproximou-se dele e fez a seguinte observação:
- A natureza do ar existe em toda parte, e o vento sopra em todos os lugares! Por que usais um leque, Mestre? Por que estais criando vento?
Respondeu o Mestre:
- Sabes apenas que a natureza do ar existe em toda parte. Mas não sabes por que o vento sopra em todos os lugares!
Perguntou, então, o monge:
- Que quer dizer: “Não há um só lugar em que o vento não sopre.”?
O Mestre continuou a abanar-se em silêncio, e o discípulo inclinou-se profundamente.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Discussão no Deserto

O mestre vagava por uma trilha no deserto, quando cruzou com três homens ferozes.
Eles estavam discutindo:
- Existem três possibilidades para explicar o surgimento dos minaretes – disseram – Acabamos de ouvi-las e estamos imaginando qual seria a correta.
O Mestre não se sentia seguro.
- Façam um relato de suas teorias, e eu julgarei o caso – disse.
- Caíram do céu – disse o primeiro.
- Foram construídos num poço e depois içados. – disse o segundo.
- Cresceram como cactos – disse o terceiro.
Cada um deles puxou uma faca para reforçar sua versão.
O Mestre pronunciou-se:
- Estão todos errados. Foram construídos por gigantes de tempos antigos, muito mais altos que nós.

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

CAPACIDADE MÁXIMA

Um frágil vaso chinês, antigo e valioso, foi encontrado pelos habitantes do vilarejo. Teve início uma discussão na casa de chá sobre qual seria a capacidade exata do vaso.
Os ânimos já iam se exaltando quando chegou o Mestre. Apelaram-lhe por um parecer a respeito.

- Simples – disse o Mestre. – Tragam aqui o vaso e um pouco de areia.

Foram enchendo-o, camada após camada, com a mais fina areia, ao mesmo tempo em que iam socando o conteúdo com o malho. Por fim, o vaso arrebentou.

- Ai está – exultou o Mestre -, a capacidade máxima foi atingida. Tudo o que resta fazer, neste momento, é retirar um grão de areia e terão a quantidade exata que o vaso pode conter.

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Sermão do Mestre

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça no Mestre. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe que fizesse um sermão. Ele concordou.
Chegado o dia, o Mestre subiu ao púlpito e falou:
- Ó fiéis, sabem o que vou lhes dizer?
- Não, não sabemos – responderam.
- Enquanto não souberem, não poderei falar nada. Pessoas ignorantes, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja, disse, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.
Desceu do púlpito e foi para casa.
Um tanto vexados, seguiram em comissão para mais uma vez, pedir ao Mestre que fizesse um sermão na sexta-feira seguinte, dia de oração.
O Mestre começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:
- Sim, sabemos.
- Neste caso, disse o Mestre, não há por que prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora. E voltou para casa.
Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.
- Sabem ou não sabem?
A congregação estava preparada.
- Alguns sabem, outros não.
- Excelente, disse o Mestre. Então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimentos àqueles que não sabem.
E foi para casa.

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

A RECOMPENSA

O Mestre tinha algumas boas novas para o rei e, depois de grandes dificuldades, conseguiu marcar uma audiência – embora, por tradição, todo assunto teria, teoricamente, o direito de acesso imediato à corte.
O rei ficou grato pelo que lhe havia sido dito.
- Escolha você mesmo sua recompensa – disse.
- Cinqüenta chicotadas – disse o Mestre.
Surpreso, o rei ordenou que o Mestre fosse chicoteado.
Depois de aplicadas vinte e cinco chicotadas, o Mestre anunciou:
- Pare! Agora, tragam meu sócio e dêem-lhe a outra metade da recompensa. O camareiro, Sua Alteza, não me permitiria ver-nos, a menos que jurasse lhe dar a exata metade de qualquer coisa que conseguisse como resultado das boas novas.

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