quinta-feira, 6 de junho de 2013



ATENÇÃO


Um dia um homem procurou o mestre pedindo para que ele lhe contasse alguma máxima budista. O homem queria tê-la na ponta da língua para poder demonstrar sabedoria. O mestre apanhou seu pincel e escreveu a palavra ATENÇÃO.

“Isto é tudo?”, perguntou o homem.

O mestre escreveu a mesma palavra novamente: ATENÇÃO, ATENÇÃO.

“Bom, não vejo realmente nenhuma profundidade no que está escrito”, disse o homem.

Então o mestre, escreveu a mesma palavra pela terceira vez:

ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO.

Um pouco irritado, o homem disse que não entendia o que significava aquela palavra escrita três vezes.

“ATENÇÃO quer dizer atenção”, respondeu, amavelmente, o mestre.



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quinta-feira, 23 de maio de 2013


Nas alturas




Na China, existiu um Mestre. Ele era conhecido por meditar empoleirado em um pinheiro e, por isso, foi carinhosamente apelidado de Mestre Ninho de Passarinho. Um poeta foi visita-lo para ver como ele meditava.

“É melhor tomar cuidado, podes acabar caindo do pinheiro!”, gritou o poeta.

“Ao contrário, tu é que corres perigo de um dia cair”, respondeu o Mestre.

O poeta refletiu e pensou que o Mestre se referia ao fato de os poetas viverem dominados por paixões e sonhos delirantes.

“Qual é a verdadeira essência?” perguntou o poeta.

“Não fazer nada violento e praticar somente aquilo que é justo e equilibrado”, respondeu o Mestre.

“Mas até uma criança de três anos sabe disso!”, exclamou o poeta.

“Sim, mas é algo difícil de ser praticado até mesmo por um velho de oitenta anos”, respondeu o Mestre.

 
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quinta-feira, 16 de maio de 2013


O GRITO


Em um mosteiro havia um velho monge que deixava os jovens totalmente intimidados. Não que ele fosse severo, mas porque nada, absolutamente nada, parecia perturbá-lo.

Os jovens viam nele algo inquietante e resolveram testar a paciência do velho monge.

Numa escura manha de inverno, quando era tarefa do velho monge levar a oferenda de chá à sala do monge superior, o grupo de jovens se escondeu em uma das curvas do longo e sinuoso corredor do mosteiro. Quando o velho se aproximou, eles saíram do esconderijo dando gritos assustadores. Mas nada adiantou.

Sem sequer alterar o passo, o velho monge seguiu andando com calma, levando cuidadosamente a bandeja de chá. Próximo à sala havia uma mesinha. O velho foi até ela, colocou a bandeja de chá, cobriu-a para protegê-la da poeira e, então, só então, apoiando-se contra a parede, deu um grito, numa exclamação de susto.




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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Comportamento




Um iniciante no Zen foi até o Mestre para fazer uma pergunta.

“Mestre, eu tenho um temperamento terrível. Às vezes, sou muito agitado e agressivo e acabo ofendendo as pessoas. Como posso curar isso?” perguntou.

“Tu possuis algo muito estranho. Deixa-me ver como é esse comportamento”, disse o Mestre.

“Bem, eu não posso mostrá-lo exatamente agora”, respondeu o iniciante.

“Por quê?”, perguntou Mestre.

“Não sei, é que isso sempre surge de forma inesperada”, disse.

“Então essa coisa não faz parte da tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasses. Portanto, saibas que ela não existe”, disse o Mestre.


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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Pranto




O Mestre gostava de passear ao entardecer pela aldeia próxima ao mosteiro.

Um dia, ele ouviu fortes lamentos vindos de uma casa e resolveu bisbilhotar. Ao entrar na casa, compreendeu que o dono havia morrido, e que a família e os vizinhos estavam chorando. Ele procurou um lugar para se sentar e chorou com eles. Um velho o reconheceu e ficou surpreso de ver o famoso mestre acompanhá-los no pranto.

“Eu acreditava que tu estivesses além dessas coisas.”

“Mas é exatamente isso que me coloca mais além”, respondeu o mestre num soluço.



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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Caco de Telha




O Discípulo, quando ainda era jovem, praticava a meditação, de forma incansável, por vários dias seguidos. Certa ocasião, seu Mestre chamou-o para uma conversa.

- “Por que pratica tanto?”, perguntou o Mestre.

- “Para me tornar um Buda”, respondeu o Discípulo.

O Mestre apanhou uma telha e começou a esfregá-la com uma pedra. O Discípulo ficou intrigado.

“O que fazes com essa telha?”, perguntou.

- “Estou tentando transformá-la num espelho”, respondeu o Mestre.

- “Mas, por mais que a esfregue, ela nunca irá se transformar num espelho. Ela não pode deixar de ser telha”, disse o Discípulo.

- “Posso dizer o mesmo de ti. Por mais que pratiques meditação não irás se tornar Buda”, disse o Mestre.

- “Então, o que devo fazer?”, perguntou decepcionado.

- “É como fazer um carro de boi andar, bates no boi ou no carro?”, perguntou o Mestre.

O Discípulo ficou sem resposta e o Mestre concluiu:

“Buscar o estado de Buda praticando apenas a meditação é o mesmo que matar o Buda. Dessa maneira, não encontrarás o caminho.”



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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Entre e tome uma xícara de chá



O Mestre perguntou a um monge que havia acabado de chegar ao mosteiro:
- ‘’Já estiveste antes aqui?’’
- ‘’Sim, senhor estive no verão passado’’, respondeu o monge.
- ‘’Então entre e tome um xícara de chá’’, disse o Mestre.
Um outro dia apareceu um novo monge no mosteiro. O Mestre lhe fez a mesma
pergunta e o monge respondeu que nunca tinha estado no mosteiro antes.
- ‘’Então entre e toma uma xícara de chá’’, disse o Mestre.
O monge, que era o secretário do templo e presenciava a chegada de todos ao mosteiro, ficou intrigado.
- ‘’Por que o senhor sempre diz a mesma coisa para todos, qualquer que seja a resposta do monge?’’, perguntou o secretário.
- ‘’Monge!’’, gritou o Mestre.
O outro assustou-se.
- ‘’Sim, Mestre! O que houve?’’, perguntou.
- ‘’Entre e toma uma xícara de chá.’’


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