sexta-feira, 10 de agosto de 2018




ALGUMAS PÉTALAS SOBRE O TATAMI


Rikyu, o fundador da cerimônia do chá da escola Rikyu, recebeu um dia, de presente, flores belíssima: da parte do chefe do templo vizinho de Saitoku-ji, em Quioto.
Trouxe-lhe um jovem monge, que, bem defronte da sala de chá, deixou cair as belas flores no chão. Todas as pétalas se destacaram de golpe, ficando apenas os caules. O jovem monge, confuso, desculpou-se de Rikyu, que, respondeu:
- Entra na sala de chá.
Defronte do nicho, Rikyu colocou apenas um vaso de ikebana vazio. A seguir, enfiou neles os caules das flores, e, no chão, sobre o tatame, por toda a volta do vaso, dispôs harmoniosamente as pétalas.
Era muito bonito, natural, simples. Disse então, Rikyu ao mongezinho:
- quando me trouxeste essas flores, elas eram, o fenômeno é o fenômeno. Ao caírem, tornaram-se, já não havia flores: o fenômeno, é nada. De acordo com o senso comum, elas poderiam ter continuado tais e quais: o nada e nada. Agora, porém, embelezam o aposento: - nada é o fenômeno.
Com nada, este aposento ficou lindo, muito mais lindo, muito mais bonito do que se empregassem inúmeros elementos de decoração. Apenas algumas pétalas dispostas sobre o tatame, ao redor de um vaso sem flores.
Essa história reflete o espírito da cerimônia do chá.

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O PATO QUE CANTA


                                                    O Pato que Canta


   Mestre passeava com seu discípulo Hyakujo ao longo de um rio. Os dois avistam um pato à procura de comida...Perturbado, o pato alça vôo e o mestre e discípulo o acompanham com os olhos.
   Mestre e o discípulo entreolharam-se em silêncio e, de súbito, bruscamente, o mestre beliscou o nariz do discípulo, que urrou de dor.
   Disse Mestre então:
   - Oh! Aqui está um pato que canta.
   O discípulo tinha os olhos postos no pato, que voava.
   Deves olhar para ti mesmo, queria dizer-lhe o mestre.
   Entretanto, não o disse, e o sentido dessa lição é muito interessante.


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O Convite

    Certa vez, um mestre recebeu, ao mesmo tempo, dois convite para jantar. E, como fossem ambos para a mesma noite, havia ele de escolher apenas um.
   O primeiro convite vinha da mesma comunidade budista local, e o segundo vinha de Ambapali, a cotesã.
   Na noite do jantar, Sidartha sentou-se à mesa de Ambapali.


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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Necessidade Traz a Prosperidade






A NECESSIDADES TRAZ A PROSPERIDADE


  


  Um mestre ficou tão impressionado com o progresso espiritual de seu discípulo que, jugando que ele não mais precisava de orientação espiritual, deixou- o sozinho em uma pequena cabana às margens de um rio.

   Todas as manhãs depois tomar banho, o discípulo pendurava sua tanga para secar. Era a única que possuía. Um dia, ficou consternado ao encontrá-la em farrapos, roída por ratos. Precisou mendigar aos aldeões para conseguir comprar outra. Quando os ratos roeram essa também, o discípulo resolveu arrumar um gatinho. Não teve mais problemas com os ratos,  mas agora tinha de mendigar para conseguir leite.

   “Mendigar dá muito trabalho”, pensou,” e me transforma num fardo muito pesado para os aldeões. Terei uma vaca,”     

   Quando arranjou uma vaca, teve que mendigar para conseguir forragem.’’ É mais fácil lavrar a terra em volta da cabana”, pensou. Mas isso também era fatigante, pois lhe sobrava pouco tempo para meditar. Assim, contratou lavradores para cultivar a terra para ele. Agora, dirigir os lavradores dava trabalho, por isso casou-se para ter uma esposa que partilhasse essa tarefa com ele.

   Anos mais tarde, seu mestre passou por lá e ficou surpreso ao ver uma luxuosa mansão onde antes havia uma roupa choupana. Perguntou a um dos criados:

   - Não é aqui que morava um de meus discípulos?

   Antes de obter resposta, surgiu um discípulo em pessoa.

   - O que significa tudo isto, meu filho!? – perguntou o mestre.


   - Não vai acreditar, senhor – respondeu o homem-, mas não houve outro jeito de eu conservar minha tanga!



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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

sejamos sábios





SEJAMOS SÁBIOS



Certo homem que vinha levando uma vida ascética e excluíra até o pão da sua dieta foi visitar um ancião. Por coincidência, alguns peregrinos também apareceram por lá e o ancião resolveu preparar uma refeição modesta para todos. Quando estava sentado à mesa, o irmão que jejuava levou a boca uma única ervilha cozida e mastigou-a demoradamente.
Terminada a refeição, ao se levantarem, o ancião levou o irmão asceta para o canto e lhe disse:
- Irmão, quando você for visitar alguém, não faça ostentação da sua maneira de viver. Se quiser se ater às austeridades, permaneça em sua cela e não saia de lá.
O asceta acatou as palavras do ancião e, depois disso, sempre se comportou como as outras pessoas quando se achava no meio delas.



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sexta-feira, 9 de junho de 2017

A RAPOSA E O COELHO


Caminhando com discípulo, um mestre Zen apontou-lhe uma raposa que perseguia um coelho.
- Segundo uma fábula antiga, o coelho escapa da raposa – disse o mestre.
- Não acho – comentou o discípulo. – A raposa é mais rápida.
- Mas o coelho vai enganá-la – insistiu o mestre.
- Por que o senhor tem tanta certeza? – Perguntou o discúpulo.
O mestre gargalhou.





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