quinta-feira, 26 de março de 2015

O Buda Vivo e o Fabricante de Banheiras

                Os Mestres Zen dão orientação pessoal em uma sala afastada. Ninguém entra enquanto o instrutor e o aluno estão juntos.
            O Mestre Zen gostava de falar com comerciantes e jornaleiros assim como com seus alunos. Um certo fabricante de banheiras era quase analfabeto. Ele fazia perguntas tolas, tomava chá e depois ia embora.
             Um dia, enquanto o fabricante de banheiras estava lá, o Mestre quis dar orientação pessoal a um discípulo, e por isso pediu ao fabricante de banheiras para esperar em outra sala.

             “Eu entendo que você é um Buda Vivo” o homem reclamou. “Nem mesmo os Budas de pedra no templo jamais rejeitam as numerosas pessoas que se reúnem diante deles. Porque então eu deveria ser excluído?”
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quinta-feira, 19 de março de 2015


O Livro


O Mestre Zen teve somente um Discípulo. Após o Discípulo ter concluído seu estudo do Zen, o Mestre chamou-o a seu quarto. “Estou ficando velho”, ele disse, “e tanto quanto eu saiba você é o único que levará adiante este ensinamento. Aqui está um livro. Ele tem sido passado de mestre a mestre por sete gerações. Eu também acrescentei muitos pontos de acordo com a minha compreensão. O livro é muito valioso, e estou dando-o a você para representar sua condição de sucessor.”.
“Se o livro é algo tão importante, é melhor que você fique com ele.”
Respondeu Discípulo.
“Esta obra tem sido levada de mestre a mestre por sete gerações, e por isso você pode guardá-la como um símbolo de que você recebeu o ensinamento. Aqui está.”
Os dois estavam conversando diante de um braseiro.
No momento em que o Discípulo sentiu o livro em suas mãos, jogou-o nos carvões em chamas.
O Mestre, que nunca havia ficado furioso antes, berrou:
”O que você esta fazendo!”
O Discípulo gritou em resposta:

“O que você está dizendo!” 
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quinta-feira, 12 de março de 2015

Sem Água, Sem Lua

QUANDO a monja estudou sob a orientação do Mestre, ela não conseguiu alcançar os frutos da meditação por um longo tempo.
Finalmente, numa noite enluarada, ela estava carregando água em um balde amarrado a um bambu. O bambu partiu-se, e o fundo do balde arrebentou, e naquele momento a monja ficou livre!
 Em comemoração a isso, ele escreveu um poema:

         Deste e daquele modo eu tentei salvar o velho balde
         Já que a tira de bambu estava enfraquecendo
        E quase quebrando
       Até que finalmente o fundo do balde caiu.
      Não há mais água no balde!
     Não há mais lua na água!
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quinta-feira, 5 de março de 2015

Meu Coração Arde como o Fogo
   
Um Mestre, o primeiro instrutor Zen a vir para os Estado Unidos, disse: “Meu coração arde como o Fogo, mas meus olhos são tão frios como cinzas apagadas.” Ele fez as seguintes regras, as quais ele praticava todos os dias de sua vida.

            De manha, antes de vestir-se, acenda incenso e medite.
Recolha-se a uma hora certa.
Alimente-se em intervalos regulares.
Coma com moderação e nunca até o ponto de satisfação.
Receba um convidado com a mesma atitude que você tem quando está sozinho.
Quando sozinho, mantenha a mesma atitude que você tem ao receber convidados.
Observe o que você diz, e o que quer que você diga, pratique-o.
Quando uma oportunidade surgir não a deixe passar, contudo sempre pense duas vezes antes de agir.
Não se lamente sobre o passado. Olhe para o futuro.
Tenha a atitude destemida de um herói e o coração amoroso de uma criança.
Ao se recolher, durma como se você tivesse ingressado em seu último sono.
Ao despertar, deixe sua cama para trás instantaneamente como se você tivesse jogado fora uma par de sapatos velhos.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

RECITANDO OS SUTRAS

       Um Fazendeiro pediu a um sacerdote que recitasse sutras para sua esposa, que havia morrido. Terminada a recitação, o fazendeiro perguntou: “Você acha que minha esposa obterá mérito disto?”
“Não apenas sua esposa, mas todos os seres sencientes se beneficiarão”, disse o fazendeiro, ”minha esposa poderá ficar muito fraca e outros tirarão vantagem dela, obtendo o benefício que deveria ser dela. Assim, por favor, recite os sutras apenas para ela.”
O sacerdote explicou quer era o desejo de um budista oferecer bênçãos e desejar mérito para cada ser vivo.
“Este é um belo ensinamento”, concluiu o fazendeiro, “mas, por favor, faça uma exceção. Eu tenho um vizinho que é grosso e mesquinho para comigo. Apenas exclua-o de todos aqueles seres sencientes.”
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

OBEDIÊNCIA

        As Palestras do Mestre eram assistidas não apenas por estudantes de Zen, mas por pessoas de todas as classes sociais e de todas as seitas. Ele nunca citava os sutras nem era dado a dissertações escolásticas. Ao contrário, suas palavras eram faladas diretamente do seu coração aos corações de seus ouvintes.
Suas amplas audiências irritaram os sacerdotes. Um egocêntrico sacerdote chegou ao templo, determinado a debater com o Mestre.
“Ei, instrutor Zen! Disse ele em voz alta. “Espere um momento”. Aqueles que respeitam você obedecerão ao que você diz, mas um homem como eu não respeita você. Você pode fazer com que eu o obedeça?”
“Venha cá e sente-se ao meu lado e eu lhe mostrarei”, disse o Mestre.
Orgulhosamente, o sacerdote atravessou a multidão até chegar ao instrutor.
O Mestre sorriu. “Venha para o meu lado esquerdo”.
O sacerdote obedeceu.
“Não”, disse o mestre, podemos conversar melhor se você ficar no lado direito. “Venha para cá”
O sacerdote orgulhosamente passou para o lado direito.

“Vê”, observou o Mestre, você está me obedecendo e penso que você é uma pessoa muito gentil. Agora sente-se e escute.”
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015


O IMPERADOR
         O Imperador chegou certa vez a uma lagoa e parou para ver seu reflexo nas águas paradas.
- Este reflexo sou eu? – perguntou a seu companheiro.
- Não, meu senhor. Não é senão uma imagem vossa.
- Ela a mantém – replicou o companheiro – graças a uma película que é como espelho.
- E onde nos encontramos essa lagoa e eu?
Seu companheiro enfiou a mão na água e borrifou o rosto do Imperador.
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